terça-feira, 20 de outubro de 2015

Shogun, ninja e samurai


Shogun

No Brasil, poucos sabem a verdadeira definição “shogun”.
Shogun era o chefe da nação, ditador militar, responsável pela execução das ordens do imperador. O Shogun muitas vezes tinha mais influencia e poder que o próprio imperador, a quem era subordinado. Shogun seria hoje o primeiro ministro, o comandante em chefe. No principio, o poder do Shogun era garantido por um exercito de guerreiros, chamados samurai (nota: não existe flexão de plural na lingua japonesa). O cargo de Shogun era hereditário, não necessariamente de pai para filho, muitas vezes o sucessor era alguém da família (clã). A escolha do sucessor por várias vezes era feito através de intrigas, mexidas nos pauzinhos, negociatas ilícitas, etc. O shogunato (sistema de governo) perdurou por 675 anos, de 1192 até 1867. Os historiadores dividem a história do Japão em shogunatos :

1) Kamakura shogunato, de 1192 até 1333 (141 anos); com o poder nas mãos dos clãs Minamoto, Kujo e outros;
2) Ashikaga shogunato, de 1336 até 1573 (237 anos); clã Ashikaga;
3) Tokugawa shogunato, de 1603 até 1868 (265 anos); clã Tokugawa

No total, o Japão de 1192 até 1868 foi governado por 40 shogun. Destes quem mais ficou no poder foi Ienari Tokugawa, de 1787 até 1837, por 50 anos. Na historia mundial recente somente um comandante ficou por mais tempo no poder : Fidel Castro, de 1957 até 2008.
O fim do shogunato deu-se em 1868, quando o último dos Shoguns, Yoshinobu Tokugawa renunciou ao cargo, mediante forte oposição política e militar; que esvaziou seu poder. Com a forçada abertura do Japão ao comércio estrangeiro, o Imperador ganhou força política e obrigou Yoshinobu Tokugawa a renunciar o cargo de shogun. Alem da força imperial,  Yoshinobu não gozava mais do prestigio dos daymios, todos descontentes com ele. O shogun Tokugawa tinha um grande e forte exercito, bem armado e treinado. Porem ele preferiu evitar o confronto com as forças imperiais, para não haver derramamento de sangue. Preferiu renunciar, após pouco mais de um ano no cargo. Com a renúncia, decidiu-se que o Imperador seria a figura máxima do Japão, e que não existiria mais um shogun. Com o fim do Shogunato, a capital do Japão foi transferida de Kyoto para Tokyo.
O termo “shogun” ainda é usado, informalmente, para se referir ao primeiro-ministro.
Yoshinobu Tokugawa - the last shogun

Yoshinobu Tokugawa, o último shogun

Ninja

Ninja ou shinobi era um agente secreto, um espião ou um mercenário, durante a época do Japão feudal. O ninja exercia funções de espionagem, sabotagem, incêndio, infiltração, assassinato e guerrilha. As funções eram, portando diferentes das dos samurais, estes exerciam o trabalho de defesa ou invasão. Além disso, os samurai, ao contrário dos ninja, trabalhavam mediante regras, tinham vínculo formalizado com um superior e portavam-se seguindo alguns conceitos de valores, sendo o mais importante a honra. Por serem “guerreiros” de aluguel, mercenários, e agirem sem nenhum escrúpulo, os ninja eram malvistos pelos samurais, que os consideravam “pessoas de segunda classe”.
Para exercer suas funções, os ninja deviam ser habilidosos em alguns quesitos, tais como disfarçar-se, escalar muros e paredes, fazer emboscadas, usar armas, fazer campanas (vigiar pessoas à distancia), nadar, etc. Existiu no Japão alguns centros de treinamento de ninja, eram secretos e situados em locais de difícil acesso.
Ninja figura 1817
Xilogravura de um Ninja, de 1817
 
Os ninja apareceram entre os séculos XIV e XV, e desapareceram com o inicio do shogunato Tokugawa, no século XVII.
Com o passar dos séculos, e da obscuridade a respeito deles (pois agiam secretamente, sem deixar vestígios), a figura do ninja foi romantizada e estilizada pela cultura ocidental, principalmente a partir dos anos 80. Mas, na realidade eram figuras traiçoeiras, matavam por dinheiro e não tinham nenhum escrúpulo. Eram movidos apenas pelo dinheiro.
Deixando de lado o lado romantico da coisa, o ninja era um terrorista, um traiçoeiro, mau carater. Sob o ponto de vista moral, um canalha.
O estereótipo do ninja todo vestido de preto faz algum sentido, essa vestimenta era para não serem vistos durante a noite.

Daimyo
(pronúncia : dái-miyô)

Do século X até a metade do século XIX, o Japão era dividido em vários feudos (latifúndios), chamados de daimyo. Esses feudos por sua vez eram arrendados a diversas famílias de agricultores.
O senhor feudal era chamado também de daimyo. Todos os daimyo eram subordinados ao shogun. Este por sua vez era subordinado ao imperador.
Os daimyo estavam constantemente em estado de beligerância, conviviam entre intrigas e ameaças. Por isso, todos tinham um exército particular, de guerreiros chamados samurai.
Os daimyo temiam que o daimyo vizinho invadisse suas terras, atacasse com seu exercito de samurais. Também existia o temor de que um daymio  rival mandasse matar-lo, dominando então seu latifúndio.
Era comum  vários daimyo pequenos e frageis se sentirem ameaçados por um daimyo mais poderoso. Esses pequenos faziam aliança para juntos se defenderem.
Cabia ao Shogun tentar manter o clima de paz entre os briguentos.
Devido a esse clima, os daimyo mantinham e treinavam um exército particular, a fim manter a segurança do feudo, e também para serviços de guarda-costas para si e para seus familiares. Esse exército era composto de samurai.
Em sua história feudal, o Japão esteve dividido em 200 a 250 feudos. No seu auge, os daimyo chegaram a ter 35 mil samurai contratados.

Samurai

Os samurai eram contratados pelos senhores feudais (daimyos), e quase nunca recebiam salário em dinheiro. O pagamento era em arroz. Todos os vassalos do feudo tinham que doar parte da colheita de arroz ao daimyo, para que esse pudesse pagar o exército de samurais. Dessa forma, o samurai era um guerreiro contratado por um daimyo, por quem ele prestava rígida obediência e devoção.
O samurai obedecia a um código de honra, não escrito (era então um conjunto de normas de usos e costumes aceito e acatado por todos), chamado de bushido. Dentro deste código, constava o haraquiri (suicídio em nome da honra, era melhor morrer do que viver desonrado para sempre). Era desonra cometer falha do tipo : fracassar numa missão dada pelo daimyo, fugir de uma batalha, etc.

O samurai usava duas espadas, uma maior (“katana”) , para o exercido da profissão; e outra menor (“wakizashi”) que era para cometer suicídio, caso fosse condenado a fazê-lo. O haraquiri era feito em um ritual, onde o próprio samurai devia usar a sua espada menor. Nesse ritual o samurai deve, defronte ao seu daimyo, com a sua espada menor (wakizashi) perfurar sua barriga e eviscerar-se. Era nomeado um assistente para decapita-lo, caso não conseguisse cometer o haraquiri por completo, ou demorasse muito para morrer. O samurai não tinha medo de morrer, para ele a morte era apenas um rito de passagem.

Embora a relação entre o daimyo e seu samurai fosse de extrema fidelidade e lealdade, alguns samurais insatisfeitos “pediam a conta”, não sem antes ser contratado por outro daimyo. Pois se ficasse desempregado, viraria um ronin.

O samurai recebia salário do seu daimyo para protege-lo. Para o daimyo o  samurai era como um seguro de vida: pagava-se, mas era melhor não usa-lo. Por isso, era uma questão de honra (bushido) defender o patrão na hora do perigo, mesmo correndo risco de morte. Se não fizesse isso, o daimyo teria pago o samurai inutilmente (alíás, em tempos de paz, ele já era um inútil). Ao fugir de sua obrigação de defender o patrão, o samurai manchava a imagem de toda a classe e ficava praticamente marcado para morrer.

Ronin
Os ronin eram os samurai desempregados, devido a morte ou queda do seu daimyo, ou mesmo por simples dispensa. Viviam então errantes. Também viravam ronin os samurai que fugiam do haraquiri. Alguns tentavam recolocação, oferecendo seus serviços a um outro daimyo.
Desempregados, eram proibidos por lei de exerceram vários tipos de atividades; e se recusavam a exercer alguns tipos de serviços por vaidade ou honra (ou por pura preguiça mesmo...), passaram a constituir uma classe de “amaldiçoados”.
Faziam então trabalhos de guarda-costas, segurança de boates, gerente de casas de jogo, porteiros de lugares suspeitos, e outros serviços que beiravam o submundo.
Muitos tornaram-se criminosos de crime organizado; assaltantes ou desordeiros; ou tornaram-se em simples “ladrões de galinhas”.
Yojimbo ronin movie - Toshiro Mifune - Akira Korusawa
Toshiro Mifune faz o papel de um ronin, no classico “Yojimbo”, do diretor Akira Korusawa; filme lançado em 1961

Curiosidade

O bushido era um sentimento tão forte, que ocorreu em 1701 o seguinte episódio : um daimyo foi injustamente condenado a morte pelo shogun. A pena foi devido a um trama armado por outro daimyo.
Os samurai do daimyo morto (e com a morte do patrão tornaram-se ronin), se sentiram na obrigação de vingar o patrão morto. Era uma questão de honra, de bushido atacar e destruir o daimyo que tramou a morte do patrão.

Esse episódio virou filmes (há várias versões) : 

Os 47 Ronis (2013), direção de Carl Erik Rinsch, hollywoodiana e fantasiosa, foi considerada a pior versão;
Os 47 Ronins (1958), direção de Kunio Watanabe,
A vingança dos 47 Ronins (1942), direção de Kenji Mizoguchi;
Os vingadores (1962), direção de Hiroshi Inagaki, considerada a melhor versão.
47-ronins 201347-ronins dvds

 

sábado, 17 de outubro de 2015

Tokyo-Sensoji Temple e Nakamise Street

 
Tokyo – Asakusa – Sensoji Temple e Nakamise Street
 
Sensoji Temple, também conhecido como Asakusa Kannon Temple está localizado em Asakusa. É o mais antigo templo de Tokyo e também o mais visitado.
Asakuza - Sensoji Temple - portal
Portal de entrada para o Sensoji Temple.

Kannon é a deusa Budista da misericórdia e felicidade. De acordo com uma lenda popular, no ano 628 D.C. dois irmãos pescadores descobriram em sua rede, no rio Sumida, uma pequena estátua de ouro, da deusa Kannon. Temerosos, resolveram devolver a estátua ao rio, pois julgaram que ali era o lugar designado para ela. Mas a estátua sempre retornava à rede, resolveram então guarda-la. O Sensoji foi então construído para abrigar esta estátua, que nunca é exibida ao público.
Kannon Goddess
O templo foi aberto em 645, e destruído por bombardeio em 1945,  reconstruído logo após.
 
Omikuji
Omikuji é um pequeno pedaço de papel, em que está inscrito a sorte, a premonição de uma pessoa, e que é adquirido por ela randomicamente (às cegas). Funciona exatamente como os fortune coookies (bolinhos da sorte). Os omikuji são muito populares nos templos,  tanto budistas quanto xintoístas
Sensoji Temple - Mokuji (1)
A pessoa chacoalha o box de alumínio (foto), que contem dentro dele vários palitos. Um palito é expelido do box pelo orifício, exatamente como se tirasse um palito de um paliteiro de dentes.  Cada palito tem um número, e esse é o número da gavetinha. Retirado o palito, a pessoa deve retorna-lo ao paliteiro e abrir a gaveta do número sorteado.Sensoji Temple - Mokuji

  Cada gaveta contem um folheto de sorte, uma premonição. Pode ser uma boa premonição, mas também pode ser uma coisa ruim. Há sempre um pedido de donativo aos que retiraram o omikuji.
Hozomon – portal
Defronte ao Sensoji Temple, está o portal de entrada, Hozomon. Originalmente construído em 942 D.C., foi destruído por incêndio em 1631; reconstruído por ordem do shogun Iemitsu Tokugawa em 1636. Foi novamente destruído por bombardeio aéreo em 1945. Reconstruido em 1964, desta vez com materiais não inflamáveis, hoje a parte superior da estrutura guarda vários textos budistas (sutras) antigos.
Sensoji Hozomon gate - Tokyo Japan
O Hozomon abriga duas grandes estátuas de Nio, guardiões de Buda. Por esse motivo, o nome original do portal era Niomon.

Kaminarimon gate
O Kaminarimon é o primeiro portal de entrada do templo budista Sensoji. Originalmente construído em 941 D.C. em um local perto de Komogata, foi trazido para Asakuza em 1635. Quatro anos depois, em 1639 foi destruído por incêndio. Iemitsu Tokugawa, o shogun, mandou reconstruí-lo em 1649. Sofreu ainda mais dois incêndios, em 1757 e 1865. A estrutura atual é de 1960.
O portal abriga as estatuas de Raijin, deus do vento;  Fujin, deus do trovão; curiosamente, deuses Xintoístas.

Kaminarimon-gate - Sensoji Temple - Asakusa - Tokyo
Acima : Kaminarimon Gate
Sensoji Temple (Asakusa Kannon Temple) Budista
Sensoji Temple
Sensoji Temple (Asakusa Kannon Temple) Budista
Sensoji Temple

Nakamise Dori Street
Sensoji Temple fica no final de uma das mais populares ruas de Tokyo : a Nakamise Street, uma rua de comércio popular, com muito souvenires, roupas e comidas típicas. Nesta rua o turista tem a oportunidade de saborear várias guloseimas da culinária japonesa :  mandiús (manju), bolachas de arroz (osenbei), tempurás, kibidango (massa de arroz coberta com soja torrada e moída). Varias lojas vendem roupas típicas do Japão, sem marca, a preços razoáveis. Um passeio imperdível. Não confundir a Nakamise Street com a Shin Nakamise Street, são ruas diferentes.
 Nakamise Street - Asakusa - Tokyo - Japan
Nakamise  Dori Street

Shin Nakamise Dori Street

Shin Nakamise (“Nova Nakamise”) é uma rua perpenticular a Nakamise dori Street. Ela é uma rua coberta, com lojas e restaurantes.


Shin Nakamise

No terceiro fim de semana (sexta, sábado e domingo)  de maio acontece no Sensoji o Sanja Matsuri (Festival). O local e seus arredores, que em dias normais é apinhado de gente, fica intransitável durante este festival, que é religioso.
Proximo ao Sensoji encontra-se um pequeno parque, o Demboin Garden. Porem ele não é aberto ao público.
 
Também próximo ao Sensoji, encontra-se o Asakusa Shrine, construido em 1649 pelo shogun Tokugawa Iemitsu.

Sensoji Temple e arredores, Asakusa, Tokyo, Japan
 
Key words : templo sensoji, portal kaminarimon, templo de asakusa, rua Nakamise.
Asakusa map2

Metro :
Ginza Line - Estação Asakusa (G19)
Asakusa Line – Estação Asakusa (A18)

Metro Asakusa StationJPG
 
 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Tokyo-Shibuya crossing e Hachiko statue

Shibuya Crossing & Hachiko Statue

O Shibuya Crossing é a esquina mais movimentada do mundo. Acabou tornando-se uma das grandes atrações turísticas da cidade. O ciclo dos semáforos dura 2 minutos, e neste intervalo um multidão atravessa a esquina, em cinco direções diferentes.
Tokyo Shibuya Crosing map
Mapa de localização. A parte em cor-de-rosa escuro é subterranea (metro).
Shibuya Crossing birds view

Também é uma esquina ideal para foto noturna, com seus neons multicoloridos.Shibuya Crossing at night

O grande macete é observar, fotografar e filmar a esquina a partir da parede de vidro da Estação de Metro Shibuya.
Shibuya Crossing Tokyo, Japan
Shibuya Crossing, visto da estação do metro

Passamos na Estação Shibuya num domingo de tarde, e ainda assim, apesar de ser domingo, o movimento de pedestre era grande. A esquina fica em frente ao Starbucks (se ainda não fechou) e ao Shibuya Tatsuya
Shibuya Crossing Tokyo, Japan

Hachiko Statue
(pronuncia : “Hat-tiko”)
Hachiko statue - Shibuya, Japan

Em 1924 Hidesaburo Ueno, um professor de agronomia da Universidade de Tokyo comprou Hachiko, um cão da raça Akita. O cão passou a ir todos os dias na Estação Shibuya, no final da tarde para esperar a chegada do professor, ao final da jornada de trabalho.
Hachiko dog
Hachiko

Porem em maio de 1925, o professor teve uma morte súbita, vitima de AVC. Hachiko continuou a ir a estação todas as tardes, esperando a chegado dono. Em todos os dias, por 9 anos e 9 meses, até a sua morte, Hachiko retornou à estação todas as tardes, na esperança de rever o seu dono. Nos primeiros 8 anos, os funcionários da estação enxotavam Hachiko, pois pensavam que ele era um cão sem dono, de rua.
Shibuya Station pre-war era
Estação Shibuya, na época de Hachiko

Em 1932 Hirokishi Saito, um estudante expert na raça Akita viu Hachiko na estação e ficou muito impressionado, pois a raça estava em extinção no Japão, restavam apenas menos de 30 em todo o país. Hachiko era então um espécime muito raro. Hirokishi resolveu então, para descobrir quem era o seu dono, seguir o cão; este retornou a casa do ex-jardineiro do professor Ueno. Com a morte do professor, Hachiko tinha ido morar com o jardineiro, que lhe contou o hábito do cão, todos os dias a tardinha saia de casa e ia até a estação.

O estudante relatou a história para um jornal de grande circulação nacional, o Asahi Shimbum. A história de Hachiko foi publicada em 4 outubro de 1932. Imediatamente o cão tornou-se herói nacional. Um ano e meio depois, em março de 1935, Hachiko faleceu vitima de câncer, aos 12 anos de idade.

Sua fidelidade à memoria do seu dono impressionou toda a nação japonesa, que viu nele um símbolo de lealdade, e de exemplo de amor e respeito às pessoas da família.

Após sua morte, foi cremado e suas cinzas depositadas junto ao túmulo do seu falecido dono, professor Ueno, no Aoyama Cemetery. Sua pele foi preservada e empalhada, e hoje esta exibida no Museu Nacional de Ciencias, Tokyo (National Science Museum of Japan).

Hachiko Shibuya Station TokyoHachiko´s Grave
Tumulo do professor Ueno e Hachiko

A popularidade de Hachiko é tal que anualmente, no dia 8 de abril, acontece uma solene cerimonia em sua homenagem, na Estação Shibuya.

A estatua de Hachiko foi erigida em 1948 e constitui um dos principais pontos turísticos de Tokyo. É uma estátua bem feinha, mal feita.
Hachiko at Shibuya Station

A história de Hachiko tornou-se ainda mais popular com o lançamento do filme “Hachi: a dog´s tale” em 2009, estrelado por Richard Gere.

“Hachiko” é um nome composto, “hachi” quer dizer oito (8), o número da sorte; e “ko” é um sufixo que significa “filho”, ou “afeição”.

Metro : Estação Shibuya,
Exit Hachiko
Linha Ginza, parada G01;
Linha Fukutoshin, parada F16
Linha Hazomon, parada Z01
Shibuya Metro Station mapa - Tokyo

Key words : esquina Shibuya Station, estatua cão Hachiko, historia hachiko

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Tokyo Happoen Garden

Happoen Garden

O povo japonês tem uma especial relação com a natureza, com o meio ambiente. Por duas razões, a primeira religiosa. O Xintoismo é uma religião praticada por 70% dos japoneses, e ela prega o panteísmo: a força divina e os espíritos estão em todas as coisas da natureza : nos rios, nas árvores, nos peixes, nas pedras, nos animais, na água, etc. Acreditam que os fenômenos da natureza são manifestações dos espíritos : a chuva, o vento, o frio, o calor, etc Por esse motivo, respeitam a natureza e o meio ambiente.

A segunda razão é o tamanho do país. Sendo pequeno e com quase 70% coberto de florestas, e com uma população de 130 milhões de habitantes, a densidade demográfica é muito alta nos 30% ocupados. É pouco espaço para tanta gente. Precisam preservar o pouco que tem. Imagine 130 milhões de porcalhões dividindo um pequeno espaço.

Happo En Garden Tokyo Japan
No Happoen Garden, Tokyo

Por esses motivos, o japonês adora vegetação, parques e jardins. Tóquio tem inúmeros parques e pequenos jardins. Visitamos um deles, o Happoen Garden. A visita é paga, mas vale a pena. Este jardim possui vários bonsais, alguns com mais de 450 anos.

Happo En Garden Tokyo Japan

Daigo Shrine é um pequeno templo xintoísta dentro deste jardim, tombado como Monumento Nacional. Há ainda uma casa de chá, onde o turista pode participar do tradicional chanoyu (ou chado; pronúcias: tchá-no-yu / tchá-dôo), a cerimônia do chá.

Happo En Garden Tokyo Japan
Daigo Shrine

Happo En Garden Tokyo Japan - Tea ceremony
Chanoyu – cerimonia do chá
Happo En Garden Tokyo Japan - Wedding
Casais vem ao parque para fotos de casamento.
Happo En Garden Tokyo Japan

Metro :
Namboku Line, N02-Shirokanedai Station, Exit 2
Mita Line, I02-Shirokanedai Station, Exit 2

Metro to Happoen Garden

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Tokyo-Kabuki e Kabukiza Ginza Theater

Kabuki e Kabukiza Ginza Theater

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Rating Stars-5 of 6

Kabuki é uma forma de teatro estilizado, onde se mescla o canto, a dança, a mímica e leveza de movimentos. Os atores usam maquiagem e trajes bem elaborados.

A origem do teatro Kabuki deu-se no inicio do século XVII, em Kyoto, e eram peças satíricas e sensuais, parodiando temas religiosos e apresentando pequenos dramas urbanos. Em 1603, uma sacerdotisa do santuário Izumo Taisha (Kyoto), chamada Okuni, inventou um estilo de dança dramática. No inicio, a arte de Okuni era feita somente por atrizes, que faziam também os papéis masculinos. Rapidamente o novo estilo de teatro conquistou a popularidade japonesa, passando a ser imitado por várias trupes. Até o ano de 1629, o kabuki era arte exclusivamente feminina.

Porem as peças teatrais kabuki tinham muito apelo sensual, por isso atraia grande audiência masculina. Por esse motivo, atraiu muitas prostitutas para o palco, que ao final dos espetáculos eram contratadas pela audiência masculina. Rapidamente, as atrizes kabuki passaram a ser conhecidas como “prostitutas dançarinas”. O teatro kabuki migrou-se então para as zonas de meretrícios.

Devido ao seu envolvimento com a prostituição, em 1629 o shogunato (Tokugawa)  decidiu que as mulheres estavam proibidas de atuar nos palcos, uma medida moralista. Com o banimento das mulheres, para não fechar as portas, os teatros passaram então a contratar homens, todos homossexuais, que também praticavam a prostituição (atendiam tanto o publico masculino quanto o feminino). Foi então a vez dos homens fazerem os papéis femininos, por atores chamados de “onnagata”, usando pesadas maquiagens. A preferencia por estes papéis era por artistas mais jovens, pois estes tinham a aparência mais feminina; muitas vezes, eram contratados adolescentes, devido ao timbre da voz, mais afeminada,  não tão grave quanto a de um homem adulto.

Mesmo sem as mulheres no palco, os teatros Kabuki continuaram a serem locais de desordem, brigas e bebedeiras, muitas vezes devido a disputa por favores sexuais de algum artista. Novamente o shogunato interveio e proibiu o Kabuki. Somente em 1652 o Kabuki foi novamente liberado.

A partir de então o Kabuki passou a refinar-se, a tornar um teatro mais elaborado e sem apelos eróticos. Os teatros passaram a mesclar o Kabuki com o Bunraku (ou “ningyô jôruri”) uma forma de arte dramática com bonecos. Muitas peças do teatro Bunraku foram adaptadas para o Kabuki. Nos meados do século XVIII o kabuki começou a perder prestigio, para ganhar força somente no inicio do século XIX.

Ao final da Segunda Guerra, o Kabuki caiu novamente no esquecimento, pois o Japão iniciou um processo de rompimento com o passado, ocidentalizando-se. Colaborou também com o enfraquecimento do Kabuki, é claro, o florescimento de outras formas de lazer : cinema, televisão, rádio, automóvel, etc.  Felizmente, o Kabuki está ganhando força novamente. Entretanto, a tradição de empregar somente atores homens perdura até aos dias de hoje.

A arte Kabuki hoje é refinada, com música ao vivo e cada gesto do ator é meticulosamente estudado, exaustivamente ensaiado e executado com graciosidade e elegancia, tal qual o balé. Uma das curiosidades do Kabuki é que em determinados pontos de uma peça os atores congelam por alguns segundos, formando um quadro, uma foto.

Kabukiza Ginza Theater – Tokyo

O Kabukiza, localizado no Ginza, é o principal teatro Kabuki de Tokyo. O prédio original foi construído em 1889, e era residência de famílias importantes da historia do Japão (clãs Kumamoto e Matsudaira). O prédio foi destruído por um incêndio em 1921. Foi reiniciada a reconstrução no ano seguinte, mas um ano depois, em 1923, já quase completada, a obra foi novamente destruída por incêndio causado por terremoto. Reconstruido após o terremoto, novamente foi abaixo, vitima de bombardeios na Segunda Guerra Mundial. Logo após o final da guerra, foi reconstruído, no mesmo estilo do prédio de 1921, sendo inaugurado em 1950.

Kabukiza Theater, Ginza, Tokyo
O Kabukiza Theater, em Ginza, Tokyo.
Kabukiza Theater entrance, Ginza, Tokyo

Antes de viajar ao Japão, consultamos (eu e Solange) sites sobre o teatro, queríamos assistir a um espetáculo Kabuki. Afinal de contas, o espetáculo Kabuki só é encontrado no Japão, e ir ao Japão e não ir assitir a uma peça é quase uma heresia. Os sites diziam que o tickets não eram vendidos antecipadamente, e que era possível comprar ticket para 1 ou 2 atos (não para a peça inteira) no mesmo dia da peça. Fomos ao Kabukiza, e para nossa surpresa e azar, não havia espetáculo no mês, pois era período de férias. Aproveitamos então para visitar o Museu Kabuki, que é anexo ao Kabukiza Theater. É um museu interessante e divertido, onde o visitante “interage” com as peças do museu.

Kabukiza Theater Museum, Ginza, Tokyo
Solange numa liteira usada em alguma peça Kabuki, Museu Kabuki.
Kabukiza Theater Museum, Ginza, Tokyo
Eu numa reprodução de um cenário Kabuki; Museu Kabuki

Kabukiza Theater Museum, Ginza, Tokyo

Kabukiza Theater Museum, Ginza, Tokyo
Um shamisen, instrumento muito usado no teatro Kabuki

Kabukiza Theater Museum, Ginza, Tokyo  - Kabuki figurine
Figurinos de uma peça Kabuki; no Museu Kabuki

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Tokyo–Tsukiji Fish Market

Tsukiji Fish Market

Nossa viagem ao Japão foi rápida e cercada de azares. Um desses azares foi o mercado de peixes Tsukiji. Não conseguimos visita-lo, porque estava fechado ! Fomos lá duas vezes, e voltamos decepcionados. Bem feito para mim, que não pesquisei a respeito de horários antes. A maioria das lojas do mercado fecha por volta de 11:00, e as demais um pouco depois. A partir das 13:00, o mercado fecha para limpeza geral.

Como já estávamos por lá, passeamos pelos arredores, pois há muito comércio “satélite”, muitas lojas e restaurantes que vivem em função deste famoso mercado. 
Tsukiji Market proximo
Rua ao lado do Tsukiji Market

O Tsukiji é o maior e o mais movimentado mercado de peixes do mundo. É também um dos destinos mais procurados pelos turistas. O fluxo de turistas é tanto que chega a atrapalhar o comercio de peixes, e por isso o acesso é controlado. Há no local um tourist information. Como o lugar não foi feito para receber turistas, existe um certo desconforto para os visitantes, e também para os comerciantes.

Tsukiji Fish Market 1
Tokyo - Tsukiji Market map
Tsukiji_fish_market_-_fishermen

Muitos turistas chegam lá as 5:00 da manhã, só para ver o leilão de atum. Porem o acesso a este evento é limitadíssimo e controlado, e por isso, quem quiser ir deve consultar a respeito antes.

Metro (até 11/2016) :

Hibiya Line – Tsukiji Station H10 - Exit 1; ou
Oedo Line – Tsukijishijo Station E18 - Exit A1

Tsukiji Market Metro Map1

Tsukiji Market Metro Map

Mudança

O Tsukiji Market será relocado, e a mudança está marcada para novembro de 2016. O novo mercado será duas vezes maior que o atual, e suas novas instalações foram projetadas para serem mais operacionais. Após 80 anos, o atual mercado não serve mais, é apertado, a logistica não flui, não tem controle de temperatura, não tem condições de receber turistas, etc. Alem disso, a area onde se encontra o atual mercado é valorizadíssima.